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Inveja: Pecado oculto

 

Rodrigo Capelo/MBPress

 

Embora seja geralmente camuflado, “olho gordo” é velho conhecido do ambiente corporativo. Sentimento, no entanto, pode comprometer a produtividade de toda uma empresa. Saiba como evitá-lo

ESPECIAL
“Os Sete Pecados Capitais,
a Produtividade e a Gestão do Tempo”

Avareza, Gula, Inveja, Ira, Luxúria, Preguiça e Soberba. Os sete pecados capitais estabelecidos pelo catolicismo constituem princípios que não devem ser feridos para que a boa relação entre os homens exista. É possível aplicá-los ao ambiente corporativo? Confira neste especial de sete matérias quais são as consequências que essas características geram na carreira profissional e saiba como evitar que elas prejudiquem a sua produtividade

Dentre todos os pecados capitais estipulados pelo catolicismo, a Inveja é o mais difícil de ser identificado nas corporações. Não que ele apareça em poucas situações; muito pelo contrário. A questão é que este sentimento é normalmente camuflado. Justamente por ser condenado pela sociedade, pouquíssimas pessoas admitem ter inveja de um colega de trabalho.

O jornalista e escritor Zuenir Ventura publicou um livro sobre a Inveja chamado “Mal secreto”. Em pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope), encomendada e divulgada por ele na obra, o popular “olho gordo” é o pecado mais conhecido pela população brasileira, sendo citado por 73% dos entrevistados como o primeiro que lhes vêm à mente.

No entanto, 84% afirmam categoricamente nunca ter sentido inveja, enquanto 7% disseram cometer esse pecado “de vez em quando” e outros 7%, “raramente”. “Admitir ter inveja significa que estamos em condição inferior ao ser invejado. Por isso é algo que procuramos guardar para nós mesmos”, explica a administradora de empresas Simone Castillo.

Para compreender como a Inveja pode prejudicar a produtividade profissional, é preciso distingui-la de outros sentimentos. O ciúme, por exemplo, consiste em querer manter o que se tem. Já a cobiça é o desejo de adquirir algo que não se possui. A inveja, por sua vez, é não querer que o outro tenha. Por esse motivo ela é considerada tão nociva.

O invejoso, segundo Simone, é o maior prejudicado, por deixar de se empenhar no próprio trabalho para concentrar-se em difamar o colega. “Ele se sente injustiçado, humilhado com o sucesso alheio, então passa a culpar a empresa, os procedimentos e, principalmente, a outra pessoa pelo seu fracasso”, afirma a administradora. “Dessa forma, ele acaba tendo o desempenho prejudicado, revolta-se ainda mais e gera um círculo vicioso.”

Como evitar?


Para fugir da inveja no ambiente corporativo, antes de tomar qualquer atitude, cabe entender o porquê de sua existência. Determinadas pessoas costumam comprometer-se mais na busca por resultados e, como consequência, destacam-se mais que outras. Isso gera inveja em profissionais com baixa autoconfiança e autoestima deficiente.

Depois, é necessário identificar indivíduos com essas características. Os invejosos, segundo a consultora em desenvolvimento humano e conferencista motivacional Eliana Barbosa, possuem comportamentos padrões. “Os mais fáceis de serem encontrados são o desprezo pela outra pessoa, a falta de interesse pela vida dela e a tentativa de ofuscar o talento dos outros com comentários maldosos”, explica.

A especialista, no entanto, acredita que o “olho gordo” é inevitável. “Se a pessoa quiser fugir desse pecado, só há uma solução: não realizar nada na vida”, ironiza. Ela sugere que, para evitar problemas, as pessoas não confiem inteiramente naqueles que não conhecem e não exponham suas vidas para os companheiros. “É melhor ser reservado, realizar o próprio trabalho da melhor forma e jamais deixar de brilhar por medo da inveja alheia.”


Outra maneira eficaz de escapar desse mal, de acordo com a consultora, é seguir no caminho oposto. Elogiar o invejoso e valorizar suas qualidades perante os colegas pode ter efeito positivo. “Se possível, até pedir a colaboração em alguma atividade em que ele [o invejoso] se mostre mais hábil e inteligente”, argumenta. Essa atitude costuma desarmar sentimentos ruins em qualquer ambiente ou situação.

Independentemente da técnica adotada, o ideal é evitar esse pecado capital em todas as ocasiões. Seja para quem sofre ou para quem comete, ele é capaz de destruir relações de trabalho e comprometer a produtividade de toda uma equipe. Portanto, vale refletir sobre a questão para coibir qualquer prejuízo: a inveja está presente no seu dia a dia?